Saturday, June 16, 2007

PSIQUÊ

Vivo uma estranha obsessão de querer saber quem eu gostaria de ser caso eu fosse eu mesmo. Será que sou aquilo que penso ser ou aquilo que pensam que sou? Eu sou eu ou eu estou eu? Não tenho a mais vaga idéia do que seria de mim se no mundo só houvesse apenas eu e mais ninguém. Ninguém e alguém são pessoas diferentes? Um outro alguém está mais próximo de mim do que ninguém? Quem é mais sozinho? E de repente fico tão a sós comigo mesmo que realizo intimamente a minha independência tamanha loucura que é ser e estar ao mesmo tempo.

Tenho alguns momentos de prazer individual e gosto de compartilhá-los. Sinto uma enorme preguiça de gente, tenho enjôo de aglomerações. Mas pessoas me fascinam tão rapidamente que volto atrás, mudo de idéia e passo a entendê-las melhor para poder amá-las novamente. E assim deixar com que cada um seja o que pensa que é ou o que eu penso ser elas. Dá quase no mesmo, fico satisfeito em acreditar na mesma coisa que pensam de mim e de outros. Não me fazer entender é a minha maneira de manter a privacidade intocada.

E quem descobrir o que penso ganha a chance de tirar-me da quietude e chegar cada vez mais perto de mim. Às vezes fico em silêncio, posso parecer distante. Mas é quando penso nas palavras que não precisam ser ditas. É quando observo tudo de um modo tão egoísta que só mesmo eu para decifrar os códigos estipulados por alguém que eu penso ser eu. Mas e se não for? Ei, o que você gostaria de ser caso você fosse você mesmo?

1 comment:

Jésio said...

"E quem descobrir o que penso ganha a chance de tirar-me da quietude e chegar cada vez mais perto de mim."

Porra! Chegou perto, hein...
E só li este ainda, porque vi agora e dormi pouco... Não sei o que fazer...Faço?
Abraços;. Inté!